CARTA ABERTA AOS PAIS
E ALUNOS DA EE. PROF. ODAIR PACHECO PEDROSO
Neste
momento os professores paulistas estão em greve e nós, ALGUNS professores desta
escola decidimos continuar em GREVE que foi decretada dia 13 de março de 2015,
pois a EDUCAÇÃO precisa urgentemente ser PRIORIDADE, não apenas no discurso.
Temos que informar a todos que, neste ano, Alckmin fechou mais de 3.120 classes
(levantamento parcial em 65 regiões) e superlotou salas de aula com até 55
alunos (ensino regular). Ele cortou verbas das escolas, onde faltam desde
materiais didático-pedagógicos até papel higiênico. Reduziu o número de
coordenadores pedagógicos, piorando a qualidade do ensino. Não há verba para
manutenção das unidades escolares e em muitas delas os banheiros não podem ser
usados por falta d´água.
Entenda, os
professores da rede pública de ensino, os professores do filho do TRABALHADOR,
dos pobres. É importante avisar, pois há duas semanas com essa greve e é como se
ela não existisse para os meios de comunicação. A exceção foi o SPTV que trouxe
um editorial colocando que o problema da educação paulista e do TRÂNSITO é o professor em greve. Irresponsáveis e relapsos professores. Até aqui nenhuma novidade,
típica e alinhada visão de uma emissora conservadora “servidora” de um governo
igualmente conservador do PSDB. Os pobres são responsáveis pela pobreza, os
doentes pela doença, os desvalidos pela própria existência. No mais é silêncio.
Sendo a educação algo
tão importante, os professores são os mais novos integrantes da classe dos
não-pessoas, existem, mas não são notados.
Estamos
em luta para garantir a qualidade de ensino do seu filho, somos contra a
promoção automática e a favor da valorização e esforço do seu filho, queremos dignidade
nas condições de trabalho e isso também significa, aplicação da Lei do Piso que
rege a nossa jornada de trabalho. É uma vergonha! Precisamos esclarecer à
população que os professores querem condições de trabalho, querem o
desmembramento das salas superlotadas, querem condições de ensino-aprendizagem
para os estudantes. Querem respeito, e querem a equiparação salarial com os
demais profissionais com formação de nível superior, como determina o Plano
Nacional de Educação.
A
"mais-valia" nas relações entre o estado e os professores não
concursados está instaurada há anos, alguns desses professores (professoras na
sua maioria) estão a mais de 15 anos prestando serviços em caráter temporário,
outros tantos em QUARENTENA ou DUZENTENA. Perceba que quase nada foi investido
no desenvolvimento profissional desses professores.
Pois bem, agora os que
estão em QUARENTENA ou DUZENTENA são descartados como laranjas chupadas para
serem substituídas por quem? Cadê esse “exército da salvação” que o governador
julga ter para nos substituir? E se houver, esse “sangue novo” será sugado até
o momento de novo descarte.
A isso chama-se
exploração e o governo PSDB está chamando de melhoria no ensino. Há nitidamente
uma visão utilitarista da educação, típica de economistas. Nessa visão, a meta
da educação é treinar para o mercado de trabalho.. As avaliações externas se
inserem nessa linha de educação-função de mercado. A linha tradicional do que
já foi um bom sistema de educação pública (do Estado de São Paulo) era muito
mais ampla, a educação vista como preparação não só para o mercado de trabalho
mas também para a cidadania, a educação vista como a tarefa mais alta do
Estado.
No rastro dessa visão economicista destrói-se
um sistema bastante bom, bem lembrado por aqueles hoje com 60 anos que cursaram
bons cursos primários e excelentes Ginásios do Estado, melhores que a maioria
das escolas privadas da época. Esse nível de excelência era assegurado por
disciplina, prestigio dado aos professores, boa gestão do sistema. Os salários
eram melhores do que hoje mas nunca foram excepcionais.
Realmente, a sucessão
de maus administradores na educação paulista parece ter sido a causa principal.
Vale lembrar que o sr. Covas “geriu bem as finanças” mas demitiu toda a guarda
das escolas públicas, a cargo do extinto Baneser. Fomentou-se, aí, a violência
intraescolar, seguida da indisciplina destrutiva que hoje corrói por dentro as
escolas paulistas.
O que o Governador nos
oferece? NADA! Reajuste ZERO!! NÃO ABRE NEGOCIAÇÃO!! Não aceitamos. Por todos
esses motivos, estamos em greve. Estamos lutando pela valorização do nosso
trabalho, por emprego, salário, condições de trabalho e água para todos.
Lutamos, principalmente, pela melhoria da educação pública estadual. Não vamos
nos intimidar. A luta pela qualidade da educação interessa a toda a sociedade.
Quanto antes nos unirmos, menos tempo de greve teremos e mais sucesso
alcançaremos. Una-se a nós!!!
Senhores pais, não nos
deixem sozinhos nessa luta, pois estamos nos mobilizando pelos direitos de seus
filhos. Queridos alunos, juntem-se a nós nessa empreitada, pois a sua luta sempre
foi a nossa. No dia 2 de abril de 2015, no Vão Livre do MASP haverá uma
assembleia estadual às 14h para tratar dos temas que aqui explicitamos, VENHA
REIVINDICAR CONOSCO OS SEUS E OS NOSSOS DIREITOS!